• Vivian Vi

O protagonismo do Brasil na sustentabilidade do agronegócio

O Brasil figura como principal exportador líquido de alimentos do mundo, com superávit da balança comercial de 71,5 bilhões de dólares, de acordo com dados recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse saldo positivo contrasta com o resultado de apenas US$ 7 bilhões registrados pelo país em 1995. Este valor, tão sonhado por grandes economias, foi construído pelo setor de ao longo dos últimos vinte anos, período em que a China se consolidou como principal país importador líquido de alimentos. O crescimento do setor do agronegócio no Brasil tem sido pautado pela sustentabilidade, particularmente, na dimensão ambiental, e no que tange ao uso responsável da terra e dos efeitos da emissão de gás carbônico. Para ter uma amplitude maior sobre assunto, nos últimos vinte anos, o Brasil triplicou a produção de grãos, sendo 65% desse crescimento realizado através de ganhos de produtividade. Vale ressaltar que, se o país não tivesse mantido um crescimento de produtividade médio de quase nessas duas décadas, a área plantada com grãos teria que ser quase duas vezes superior à atual. Dessa forma, considerando-se apenas a ótica da produção de grãos, o país eliminou a necessidade de plantio adicional de uma área de 50 milhões de hectares, equivalente a quase a uma França inteira. Sabe-se também que os ganhos de produtividade na pecuária brasileira e os impactos positivos no ganho do uso da terra são ainda mais contundentes. O recorte dos últimos 15 anos mostra um aumento

da produção pecuária no país de 62%, isso representa cerca de 25 milhões de toneladas, considerando a produção de carne, leite e ovos, entre 2008 e 2015. Caso a produtividade das áreas de pastagens não tivesse crescido 55% nesse período, seriam necessários 65 milhões de hectares adicionais para garantir o mesmo aumento de produção, o que equivale à área agrícola cultivada não somente no país francês, mas na Espanha e Alemanha juntas. Além disso, a sustentabilidade ambiental do agronegócio brasileiro pode ser evidenciada nas estatísticas de logística reversa que impactam, diretamente, na emissão de gases do efeito estufa. Diante disso, cerca de 94% das embalagens plásticas colocadas no mercado brasileiro, no ano passado, foram recicladas, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagem

Vazias (inpEV), tornando o país campeão mundial de logística reversa de embalagens de defensivos agrícolas. Já o programa intitulado “Sistema Campo Limpo”, que está relacionado ao processo de reutilização de resíduos sólidos, como embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, contabilizou mais de 595 mil toneladas de invólucros vazios destinadas adequadamente desde o início das operações no período entre março de 2002 até novembro deste ano. Apenas em 2019, foram 45,5 mil toneladas de embalagens vazias recicladas e a previsão é que este ano feche como mais 49 mil toneladas. O trabalho do Sistema Campo Limpo também evitou a emissão de 752 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO²eq), que correspondem a mais de 14 mil viagens de caminhão em torno da Terra. Este programa também impediu o consumo de 33 bilhões de megajoules de energia, o suficiente para abastecer 4,7 milhões de residências durante um ano.

Diante desse cenário, em que se busca um alicerce básico para o desenvolvimento sustentável da agropecuária, foi criado o grupo “Agrifood 5 Alliance”. Trata-se de um projeto que reúne as cinco principais universidades de agricultura do mundo e, entre elas, está a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), da Universidade de São Paulo (USP). Este grupo tem como objetivo expandir as atividades de pesquisa colaborativa, educar, treinar e entregar sistemas alimentares sustentáveis para a próxima geração de especialistas e líderes em agricultura; desenvolver um think tank (uma espécie de laboratório de ideias de natureza investigativa e reflexiva) globalmente reconhecido, independente e imparcial, e por fim, defender o papel e posição das universidades no debate público. Outra questão que é aprimorada e discutida por essa aliança diz respeito à transformação sustentável do sistema alimentar. Ela passa pela criação de uma plataforma

de investigação para facilitar e potencializar a colaboração entre as instituições de ensino pertencentes ao grupo com a participação de outras universidades, além da produção de livros para apresentar novas perspectivas sobre a produção sustentável para estimular a transformação do sistema. Quando se combinam as três esferas da sustentabilidade - as dimensões ambiental, social e econômica - fundamenta-se a construção de sistemas agroalimentares sustentáveis e o implantado no Brasil é considerado um dos mais robustos do mundo. Isso é o resultado do trabalho consciente dos agricultores brasileiros que veem o resultado do profissionalismo no crescimento dos negócios que lideram. É fundamental que o agronegócio no Brasil promova mais visibilidade sobre diferentes dimensões de sustentabilidade de suas operações, de forma a fortalecer a relação nos mercados em que vendem produtos, através da percepção de valor dos consumidores finais.


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